Aeroporto de Gatwick interrompe voos devido a invasões de drones e mercado antidrones cresce 20% ao

A crescente ameaça de drones tem levado a um aumento significativo na demanda por tecnologias de proteção

Soldado segura drone no Pentágono.

Invasões de drones que geram transtornos nos aeroportos europeus e ataques a campos de petróleo no Oriente Médio têm se tornado cada vez mais frequentes. Esse cenário tem alimentado um mercado em forte crescimento, voltado para a criação de radares, bloqueadores de sinal e aeronaves defensivas, com o objetivo de proteger tanto aeroportos quanto outras infraestruturas contra essas novas ameaças aéreas.

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O Aeroporto de Gatwick, em Londres, é um exemplo marcante, tendo interrompido voos devido a alertas relacionados a drones antes mesmo de 2020. Contudo, uma nova onda de invasões associadas aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio intensificou ainda mais essas preocupações.

Crescimento do Mercado Antidrones

Recentes inovações tecnológicas surgiram como resposta a esse desafio, incluindo uma ferramenta em formato de arma da empresa americana Dedrone e um “companheiro de voo” autônomo desenvolvido pela Boeing, que acompanha caças e transporta bloqueadores e armamentos antidrones.

O setor está atraindo bilhões de dólares em investimentos, expandindo-se além do uso militar para áreas como energia, transporte marítimo, centros de dados, hotéis e, claro, aeroportos.

A Avinor, responsável pela operação de 43 aeroportos na Noruega, já implementou um sistema de detecção de drones para mitigar as “interrupções e atrasos” causados pelas incursões civis ao tráfego aéreo. Executivos de empresas especializadas no combate a drones relataram um aumento significativo na demanda por suas soluções por parte de governos e aeroportos.

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Siete Hamminga, CEO da RobinRadar, uma companhia holandesa que desenvolve tecnologias contra drones a partir de pesquisas sobre colisões com aves, afirmou: “Há um efeito direto do grande número de pessoas que nos procuram”.

Desafios Regulatórios e Tecnológicos

O mercado antidrones na Europa e no Oriente Médio cresce cerca de 20% ao ano, evidenciando a necessidade urgente de proteger bases econômicas e civis como portos e campos petrolíferos. Ataques recentes no aeroporto de Dubai e alertas sobre drones em cidades como Munique e Copenhague têm elevado a preocupação entre as autoridades aeroportuárias europeias.

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Ash-Alexander Cooper, ex-executivo da Dedrone, mencionou que as solicitações por soluções começaram logo após o início da guerra no Irã no final de fevereiro. Muitos buscavam alternativas que pudessem ser implementadas rapidamente.

Analistas estimam que o mercado global para sistemas antidrones varia entre US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,4 bilhões) e US$ 7 bilhões (cerca de R$ 36,1 bilhões), com previsão de crescimento contínuo. Um relatório da MarketsandMarkets projeta que esse valor pode atingir US$ 14,5 bilhões (em torno de R$ 74,8 bilhões) até 2030.

Eben Frankenberg, CEO da Echodyne, destacou que sua empresa inaugurará uma nova fábrica este ano para aumentar significativamente sua produção anual.

No entanto, apesar do crescente interesse nesse setor, os desafios regulatórios ainda impõem limitações à implementação das tecnologias fora do âmbito militar. Aeroportos civis operam sob regras rigorosas sobre quais ferramentas podem ser utilizadas contra drones e concentram-se principalmente em sistemas de detecção.

Questões relacionadas ao bloqueio de sinal podem interferir nas comunicações essenciais em áreas próximas aos aeroportos.

Enquanto isso, os drones continuam a se multiplicar e aprimorar suas capacidades. Mike Schut, diretor comercial da DroneShield, descreveu essa situação como um “jogo de gato e rato”, onde é necessário estar sempre à frente das inovações. Greg Falco, professor da Universidade Cornell, advertiu que muitas tecnologias disponíveis são caras e nem sempre eficazes: “Estamos em modo pânico; todos estão adquirindo qualquer ferramenta disponível para ter um pouco mais de controle”.

A complexidade desse cenário revela não apenas a urgência na proteção contra drones mas também os desafios enfrentados pelas autoridades diante dessa ameaça crescente.