Acordo Comercial entre União Europeia e Mercosul: Impactos no Agronegócio Brasileiro
O potencial acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que pode ser ratificado ainda em 2026, promete influenciar diretamente setores estratégicos do agronegócio brasileiro. A expectativa é de que isso abra novas oportunidades para exportações e aumente a competitividade no mercado europeu.
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Carne Bovina: Crescimento nas Exportações
A carne bovina se destaca como um dos principais produtos do agronegócio brasileiro na União Europeia. Nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações para o bloco europeu totalizaram US$ 820,15 milhões, representando um crescimento de 83,2% em comparação ao mesmo período de 2024.
A UE é o terceiro maior destino em valor, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, refletindo a demanda por cortes premium.
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A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) destacou que “o acordo com a UE pode trazer previsibilidade ao setor e reduzir a dependência de mercados concentrados”.
Soja: Oportunidades de Crescimento
O complexo soja também se beneficia do acordo, com a União Europeia se posicionando como o terceiro maior destino da soja brasileira em 2025, com embarques próximos a US$ 6 bilhões. Apesar de uma leve queda em relação a 2024, o mercado europeu apresenta estabilidade e potencial de crescimento para produtos de maior valor agregado, como farelo e óleo de soja.
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A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) ressaltou que “reduzir barreiras é crucial para estimular o mercado interno e agregar valor à nossa indústria”, enfatizando que o tratado pode favorecer a industrialização do complexo soja.
Café Verde: Mantendo a Liderança
No setor de café verde, a União Europeia continua sendo o principal destino das exportações brasileiras, com US$ 6,43 bilhões exportados entre janeiro e novembro de 2025, um aumento de US$ 1,22 bilhão em relação ao mesmo período de 2024. O acordo deve facilitar a entrada de produtos brasileiros em um mercado que valoriza qualidade e sustentabilidade.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), afirmou que “o nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Portanto, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa”.
Celulose e Outros Setores Estratégicos
Apesar de uma queda de 12,9% nas exportações totais de celulose, a União Europeia se manteve como o segundo maior destino, representando 21,1% do total exportado, com receitas de US$ 1,98 bilhão. A redução de tarifas prevista no acordo pode aumentar ainda mais a competitividade do setor.
A carne de frango também se beneficia do mercado europeu, que foi o sexto maior destino em 2025, com exportações de US$ 457,99 milhões. O açúcar, um produto sensível para a UE, poderá ganhar espaço com a redução gradual de tarifas, apesar das salvaguardas para proteger produtores locais.
Impactos do Acordo
Com a ratificação do acordo UE–Mercosul, espera-se a redução e eliminação de tarifas em produtos estratégicos, como carnes, café, soja, celulose, açúcar, etanol e suco de laranja. Especialistas acreditam que o tratado pode estimular a modernização, rastreabilidade e práticas sustentáveis, além de diminuir a dependência de mercados concentrados, como a China.
Marcos Jank, do Insper Agro, comentou: “O acordo é superinteressante para os dois blocos, mas exige pragmatismo. O Brasil precisa transformar exigências em vantagem competitiva e usar a diversificação de mercados como estratégia central do agro.”
