Acordo UE-Mercosul pode revolucionar o agronegócio brasileiro em momento crítico. Descubra como essa negociação impactará exportações e mercados!
A possível consolidação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, com votação marcada para às 13 horas, ocorre em um período crítico para o agronegócio brasileiro. Este tratado é visto como uma peça fundamental para diversificação comercial, especialmente com a China, principal destino da carne bovina brasileira, impondo limites às importações.
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Após mais de 20 anos de negociações, o acordo UE-Mercosul pode provocar uma das maiores mudanças no comércio agrícola global das últimas décadas. Para o Brasil, isso representa a chance de aumentar exportações com maior valor agregado para um mercado mais sofisticado e previsível.
Já para a UE, o desafio é equilibrar interesses geopolíticos, proteção ambiental e a pressão interna de produtores rurais.
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Segundo o professor Marcos Jank, do Insper Agro, a disposição da Europa em avançar com o acordo está ligada a fatores que vão além do comércio agrícola. Em entrevista à CNN Brasil, ele destacou que a Europa busca fortalecer alianças estratégicas em meio a movimentos geopolíticos globais, como a aproximação entre Rússia e China e o reposicionamento dos Estados Unidos na América Latina.
“A UE vê o Mercosul não apenas como um parceiro econômico, mas também estratégico em termos de segurança alimentar e geopolítica”, afirmou Jank.
Os dados mostram que a UE já desempenha um papel central no agronegócio brasileiro, mesmo sem o acordo em vigor. Nos 11 primeiros meses de 2025, as exportações agropecuárias do Brasil para a UE totalizaram US$ 22,89 bilhões, conforme o sistema Agrostat do Ministério da Agricultura.
Embora esse valor seja inferior aos US$ 27,71 bilhões do mesmo período em 2024, representa 48,5% de todas as vendas externas do setor.
A carne bovina se destaca, com embarques para a UE alcançando US$ 820,15 milhões de janeiro a novembro, um aumento de 83,2% em relação ao ano anterior. A UE também foi o principal destino do café verde, com vendas de US$ 6,43 bilhões, superando o mesmo período de 2024 em US$ 1,22 bilhão.
Para mitigar a resistência interna na UE, especialmente entre agricultores da França, Itália e Hungria, a Comissão Europeia anunciou a redução de tarifas de importação sobre certos fertilizantes essenciais para a agricultura do bloco. A proposta inclui a eliminação das tarifas de 6,5% sobre a ureia e de 5,5% sobre a amônia.
Além disso, a UE está considerando medidas para suspender temporariamente a taxa de carbono na fronteira (CBAM) para produtos importados, o que reduziria custos a curto prazo para os agricultores europeus.
Enquanto avança na abertura comercial, a UE também reforça mecanismos de proteção interna. Um “gatilho automático” foi criado, permitindo que a Comissão Europeia investigue e adote medidas corretivas se as importações de produtos agrícolas do Mercosul aumentarem mais de 8% em relação ao ano anterior.
Esse percentual é um compromisso político entre propostas que variavam de 5% a 10% e se aplica a cadeias sensíveis, como carne bovina, frango e açúcar. As exigências ambientais, incluindo combate ao desmatamento e rastreabilidade da produção, continuam sendo um ponto de tensão.
Na Europa, o acordo enfrenta forte oposição de agricultores que temem a concorrência com produtos do Mercosul, produzidos a custos mais baixos e sob regras ambientais menos rigorosas. Esses protestos têm gerado bloqueios e pressões políticas, especialmente na França.
Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e Londres, destacou que a resistência de alguns países europeus reflete disputas internas entre produtores tradicionais e emergentes na UE, com o Brasil sendo um alvo externo dessas tensões.
Com a China implementando um sistema de cotas para a carne bovina, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2026, o acordo UE-Mercosul se torna ainda mais relevante. Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira totalizaram cerca de 1,7 milhão de toneladas, representando 48,3% do volume exportado pelo Brasil.
Entidades como ABIEC e CNA afirmam que ajustes na cadeia produtiva serão necessários para mitigar impactos sobre pecuaristas e exportadores. O acordo oferece ao Brasil a chance de diversificar mercados, o que se torna uma estratégia central para o futuro do agronegócio.
Marcos Jank enfatiza que o acordo é “superinteressante” para ambos os blocos, mas requer pragmatismo. “A União Europeia não será flexível, e o Brasil precisará transformar exigências em vantagem competitiva”, concluiu.
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.