Acordo Mercosul-União Europeia promete revolucionar o agronegócio e a indústria brasileira! Descubra os impactos e oportunidades que vêm por aí!
O agronegócio e a indústria se destacam como os principais beneficiários do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, conforme especialistas consultados pela CNN Brasil nesta sexta-feira (9). A Itália facilitou a formação de uma maioria, sendo necessário o apoio de pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco.
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No Brasil, o texto do acordo passará por uma revisão jurídica e será analisado pelo Congresso. Na União Europeia, poderá ser encaminhado diretamente ao Parlamento Europeu, caso se restrinja à parte comercial. Apesar do otimismo com a aprovação pelo Conselho Europeu, especialistas alertam que os benefícios devem ser percebidos apenas no médio e longo prazo, devido a limitações impostas por mecanismos de proteção ao setor agrícola europeu.
O gerente de comércio internacional da BMJ, Josemar Franco, destacou que o foco atual das negociações são as salvaguardas criadas pela União Europeia para evitar um aumento excessivo das importações agrícolas do Mercosul. Esse mecanismo busca atender à resistência de produtores europeus, especialmente da França, preocupados com a competitividade do agronegócio brasileiro.
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Franco enfatizou que o agronegócio brasileiro é altamente competitivo, o que gera apreensão entre os produtores europeus. A resistência é mais forte entre os agricultores franceses e europeus, levando a Comissão Europeia a criar salvaguardas. Os principais ganhos para o Brasil devem se concentrar no agronegócio, que também enfrenta resistência na Europa.
O especialista acredita que o processo pode ter validação bilateral, permitindo que Brasil e União Europeia implementem o tratado antes da ratificação por todos os países do Mercosul. Isso agilizaria os benefícios para os exportadores brasileiros, independentemente do ritmo dos demais parceiros.
Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, afirmou que setores alimentícios podem se tornar competitivos em relação aos produtos europeus. Ele prevê que, a partir de 2027, os efeitos do acordo poderão ser sentidos nas prateleiras dos supermercados.
Graziano Messana, vice-presidente da Eurochambers Brazil, ressaltou que a análise do acordo deve ser mais ampla, abrangendo setores como farmacêutico, tecnologia e equipamentos industriais. Ele acredita que o impacto econômico mais significativo virá dos equipamentos industriais, que podem alterar a balança comercial.
Messana citou empresas italianas que exportam soluções de nanoirrigação e tecnologia para agricultura de precisão, que podem aumentar a produtividade no Brasil. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) considerou a aprovação do acordo um passo importante para a inserção internacional do Brasil e fortalecimento da indústria nacional.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) acredita que o tratado mudará significativamente a forma como as empresas do Mercosul e da UE realizam negócios. Em 2024, a UE foi o destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, representando 14,3% do total exportado pelo país.
Além disso, o bloco europeu respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, correspondendo a 17,9% do total. Segundo a ApexBrasil, o acordo pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras e diversificar ainda mais a pauta exportadora do país.
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Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.