A Abiquim celebra o acordo entre Mercosul e União Europeia, prevendo um impulso nas exportações do setor químico. Assinatura marcada para 17 de janeiro!
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) declarou nesta sexta-feira (9) que vê de forma positiva a confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A entidade acredita que o pacto poderá ampliar as exportações brasileiras do setor químico.
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André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, destacou que “o acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado”. A União Europeia deu sinal verde para a assinatura do acordo, que é considerado o maior de livre comércio com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações.
A cerimônia de assinatura está agendada para 17 de janeiro, em Assunção, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina. A confirmação do acordo ocorre em um momento em que setores da indústria química brasileira enfrentam desafios devido ao excesso de oferta da China, que tem pressionado os preços internacionais.
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Cordeiro ressaltou que o acordo “amplia o acesso a mercados, incentiva o intercâmbio tecnológico e cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos”, especialmente em áreas como bioeconomia e energia limpa.
De acordo com dados da Abiquim, a balança comercial entre Brasil e União Europeia terminou o ano passado com um déficit de US$ 13,5 bilhões, em comparação a US$ 12,7 bilhões em 2024. As exportações brasileiras para a UE foram de US$ 2,2 bilhões em 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 15,7 bilhões.
A maior categoria nas importações brasileiras é o setor farmacêutico, com US$ 8,7 bilhões no ano passado. No que diz respeito às exportações, os produtos químicos orgânicos lideraram, totalizando US$ 542,7 milhões.
A Abiquim informou que o tratado prevê uma ampla liberalização tarifária para bens industriais e agrícolas, respeitando as especificidades de cada mercado. A oferta do Mercosul inclui a liberalização de cerca de 91% dos bens, enquanto a da UE abrange aproximadamente 95%.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também manifestou entusiasmo com a autorização para a assinatura do acordo, reconhecendo que, apesar de não ser perfeito, foi o melhor possível para conciliar os interesses de 31 países.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, enfatizou que o verdadeiro trabalho começa agora, destacando a necessidade de inovação e melhoria da produtividade nas indústrias brasileiras para garantir competitividade no mercado internacional.
Para que o acordo entre em vigor, ainda será necessária a assinatura e a ratificação pelo Congresso do Brasil e pelo Parlamento Europeu.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.