A Zara gera polêmica ao usar IA para criar imagens de novas coleções, levantando questões éticas e críticas sobre a autenticidade na moda. Descubra mais!
A Inteligência Artificial (IA) se firmou como um dos principais pilares científicos do século 21, transformando-se de uma promessa tecnológica em uma realidade presente em diversos setores da economia global. No entanto, sua aplicação na moda gera debates intensos e preocupações, afetando tanto profissionais da cadeia produtiva quanto consumidores.
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Recentemente, a Zara, pertencente ao grupo Inditex, se tornou o foco de uma nova controvérsia. Em dezembro de 2025, a marca revelou que utiliza fotos de ensaios anteriores para, por meio de ferramentas generativas, “vestir” modelos com peças de novas coleções.
Essa abordagem permite à empresa criar centenas de imagens a partir de um único ensaio, reduzindo custos com estúdios e profissionais.
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Apesar da economia que essa estratégia representa, a Zara enfrentou críticas. A marca afirmou que solicita autorização das modelos e garante pagamento integral, como se um novo ensaio tivesse ocorrido. Contudo, a prática levanta questões sobre a “demissão invisível”, já que fotógrafos e assistentes não recebem royalties pelas imagens geradas artificialmente.
Além do impacto financeiro, críticos apontam que a padronização excessiva da IA resulta em imagens artificiais e sem autenticidade. A Zara não está sozinha nessa transição; outras marcas, como a H&M, também estão explorando “gêmeos digitais” para suas campanhas.
Em agosto de 2025, a Vogue publicou anúncios com uma modelo sintética, gerando reações diversas no setor.
A busca por eficiência tecnológica não é nova, mas enfrenta dilemas éticos. Em 2023, a Levi’s tentou justificar o uso de modelos gerados por IA como uma forma de aumentar a diversidade, mas a estratégia foi criticada, levando a marca a recuar.
Especialistas alertam que modelos de IA muitas vezes não consideram a diversidade, refletindo preconceitos existentes.
Para Karin Hellen Froehlich, a IA pode trazer benefícios significativos, como a previsão de demanda, que ajuda a reduzir desperdícios. A Zara, em 2026, está implementando um hub que utiliza IA para identificar produtos com baixa venda e realocá-los para regiões com maior demanda, otimizando estoques.
Eduardo Freire destaca que a tecnologia deve ser usada para uma produção consciente, questionando a necessidade de produzir em massa. A falta de regulamentação sobre o uso da IA é um ponto crítico, e a busca por autenticidade se torna essencial em um mundo cada vez mais digital.
Karine Lioto acredita que a IA e o trabalho humano podem coexistir, com cada um trazendo valores distintos. A tecnologia deve ser utilizada onde mais contribui, enquanto o trabalho manual e as interações humanas continuarão a ser valorizados. A IA, por sua facilidade de uso, pode se disseminar rapidamente, e aqueles que não se adaptarem podem ficar para trás.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.