A febre das figurinhas da Copa do Mundo: matemática revela desafios do colecionismo!

A febre das figurinhas retorna com a Copa do Mundo
A paixão pelo colecionismo de figurinhas está de volta com o lançamento do álbum da Copa do Mundo. O maior evento esportivo do planeta começa no dia 11 de junho, mas a emoção não se limita apenas aos gramados. Completar o álbum, no entanto, não é uma tarefa simples, e a matemática pode ajudar a entender essa dificuldade.
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Segundo Milton Jara, físico e matemático do Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), é mais fácil ganhar na Mega da Virada do que conseguir completar o álbum sem tirar repetidas. “A chance é um número astronômico, é infinitamente mais fácil ganhar na Mega da Virada.
Se você escrevesse os números zeros em uma folha de papel, a distância resultante seria equivalente da Terra até uma estrela próxima na galáxia”, comenta o especialista.
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Desafios do colecionismo
O álbum contará com 68 figurinhas especiais, representando todas as 48 seleções que participarão do torneio. Cada envelope custará R$ 7,00 e virá com sete figurinhas. De acordo com Jara, o número médio de figurinhas que um colecionador precisaria adquirir é de 6.750 (equivalente a 964 pacotinhos), considerando uma impressão equilibrada de todas as figurinhas.
Esse cálculo assume que o colecionador não fará trocas, apenas comprará. Um aspecto interessante da probabilidade é que, ao compartilhar o colecionismo com outra pessoa, as chances de completar o álbum aumentam. “Se duas pessoas se unirem, precisariam comprar 8.700 figurinhas (1.242 pacotes) para completar dois álbuns, resultando em 4.350 figurinhas (621 pacotes) por pessoa.
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Para três álbuns, o número cai para 2.600, enquanto para quatro álbuns, sobe para 12.500”, explica Jara.
Cadeias de Markov e a probabilidade
No IMPA, durante as aulas de probabilidade, os pesquisadores utilizam o colecionismo de figurinhas para ilustrar a teoria das ‘Cadeias de Markov’. Esse conceito mostra que a probabilidade de obter uma figurinha nova depende apenas das que o colecionador já possui. À medida que o álbum se aproxima da conclusão, a chance de encontrar uma figurinha inédita se torna cada vez mais escassa, devido à distribuição geométrica da probabilidade.
Para o álbum da Copa do Mundo de 2018, por exemplo, estimou-se que um colecionador que não realizasse trocas precisaria adquirir cerca de 6.018 figurinhas para ter 90% de chance de completar a coleção, conforme estudo dos pesquisadores Leandro Batista Morgado e Leonardo Silveira Borges, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
Detalhes do álbum e a Copa de 2026
O lançamento oficial do álbum está agendado para o dia primeiro de maio. Os colecionadores terão várias opções, sendo a mais simples a brochura, que custará R$ 24,90. Também haverá versões de capa dura por R$ 74,90 e uma edição “Premium” por R$ 359,90, disponível exclusivamente no site da Panini.
A Copa do Mundo de 2026 marcará a primeira edição com um número ampliado de seleções. Desde 1998, o torneio contava com 32 participantes, mas agora serão 48 ao todo. Essa mudança tende a tornar os grupos menos desafiadores, permitindo que seleções menos expressivas tenham mais chances de avançar.
Além disso, 32 seleções se classificarão para a fase de mata-mata, incluindo os dois melhores de cada grupo e os oito melhores colocados, reduzindo a probabilidade de uma equipe forte ser eliminada na fase de grupos. A fase de eliminatórias também ganhará um jogo a mais, com a introdução da fase de 16 avos.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



