94% das mulheres brasileiras dizem sentir medo da violência no país

Pesquisa mostra que medo altera rotina de 94% das mulheres e expõe falhas na segurança pública.

Imagem representativa

Uma pesquisa inédita revela que 94% das mulheres brasileiras sentem medo diante da violência no país. O índice faz parte do levantamento “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência”, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.

O estudo mostra que o medo tem impacto direto na rotina feminina, alterando hábitos, trajetos e decisões do dia a dia.

Os números são ainda mais expressivos quando o assunto são os deslocamentos urbanos. A mesma parcela de 94% das mulheres afirma sentir insegurança ao se movimentar pela cidade. Entre os homens, o percentual é de 90% — uma diferença pequena, mas que escancara um medo compartilhado pela maioria da população.

Violência sofrida e percepção de vulnerabilidade

Quase 8 em cada 10 mulheres — cerca de 78% — declararam já ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida, com destaque para a psicológica. O dado contrasta com a percepção geral: a pesquisa indica que a sociedade enxerga as mulheres como mais vulneráveis que os homens a agressões domésticas, sexuais, psicológicas e físicas.

Entre os homens, 84% afirmaram sentir insegurança diante da violência cotidiana. Ainda assim, a pesquisa aponta que o temor feminino é mais disseminado e atinge patamares mais altos, especialmente em situações de deslocamento e espaços públicos.

Avaliação negativa das instituições

A atuação dos órgãos públicos na prevenção e no combate à violência também foi alvo da pesquisa. As polícias Militar e Civil foram mencionadas por 73% das mulheres. Os governos federal e estadual aparecem empatados, com 69% cada, seguidos pelos municípios, com 66%.

Na prática, a maioria das entrevistadas avaliou mal o desempenho dessas instituições. O Legislativo lidera as avaliações negativas, com 74%. Depois vêm os governos estaduais (72%), o Judiciário e o Executivo federal (ambos com 71%.

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Medidas urgentes e impacto nas urnas

Entre as soluções apontadas, 95% das mulheres consideram fundamental ampliar os canais de denúncia e o apoio às vítimas. Já 93% citam a melhoria da infraestrutura urbana — transporte público, iluminação e espaços públicos — como prioridade.

O tema também deve influenciar as eleições. Para 78% das mulheres ouvidas, propostas de enfrentamento à violência e ao assédio nas ruas e no transporte público serão um fator decisivo na escolha do voto.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram feitas de forma digital, por autopreenchimento, e a margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.