10 filmes e documentários para conhecer diferentes períodos da história do Brasil

Produções nacionais abordam colonização, escravização, Era Vargas e ditadura, mas especialistas recomendam comparar filmes com pesquisas históricas.

07/09/2026 06:01

4 min

Cinema nacional reconstituiu momentos-chave da história do Brasil, da colonização à redemocratização.
Cinema nacional reconstituiu momentos-chave da história do Brasi...

Feriados ligados à história do Brasil podem servir como ponto de partida para conhecer, pelo cinema, períodos como a colonização, a escravização, a Era Vargas, a ditadura militar e as crises políticas recentes. Filmes e documentários nacionais reconstituem esses episódios sob diferentes pontos de vista, mas especialistas recomendam comparar mais de uma produção antes de considerar qualquer obra um retrato definitivo do passado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para historiadores, o audiovisual não substitui a pesquisa histórica. Ainda assim, pode aproximar o público de acontecimentos que muitas vezes parecem abstratos, especialmente quando são lembrados em feriados, nomes de ruas ou livros didáticos.

Do Brasil colonial à Era Vargas

Flávio Vilas Boas Trovão, professor do mestrado profissional de história da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e autor do livro “História das Américas através do cinema”, afirma que o cinema cria uma aproximação afetiva com personagens e episódios já conhecidos pelo público.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ferramenta ajuda a “aproximar figuras e episódios com os quais os estudantes já têm contato por serem lembrados em feriados, nomes de rua ou livros didáticos”.

Essa aproximação exige atenção às escolhas de cada produção. A época em que o filme foi realizado e a interpretação do diretor influenciam a forma como determinado período é apresentado. Entre os títulos sobre os primeiros séculos do país estão “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1971), de Nelson Pereira dos Santos, sobre um francês capturado pelos tupinambás no Brasil do século XVI, e “Xica da Silva” (1976), de, que aborda relações sociais e disputas de poder no Brasil escravista do século XVIII.

“Guerra de Canudos” (1997) retoma o conflito entre o Exército republicano e os seguidores de Antônio Conselheiro no interior da Bahia. O episódio, ocorrido nos primeiros anos da República brasileira, permanece associado aos confrontos entre o Estado e as populações do sertão.

Já “Olga” (2004), de Jayme Monjardim, acompanha a militante comunista Olga Benário e sua relação com Luiz Carlos Prestes durante a repressão do governo de Getúlio Vargas.

Leia também

Ditadura militar e democracia recente

O período getulista também aparece em “Getúlio” (2014), centrado nos últimos dias de vida do presidente Getúlio Vargas e na crise política que antecedeu o suicídio do presidente, em 1954. Para abordar o golpe de 1964, o documentário “Jango” (1984), de Silvio Tendler, reconstitui o governo de João Goulart e os acontecimentos que levaram à sua deposição.

O filme levou mais de meio milhão de espectadores aos cinemas e é apontado como o sexto documentário de maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

Outras produções se concentram nos anos de chumbo. “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, narra o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick por um grupo de resistência, em 1969. “Batismo de Sangue” (2007), por sua vez, acompanha frades dominicanos envolvidos na luta armada contra o regime e retrata a prisão e a tortura sofridas pelos religiosos.

A experiência de mulheres presas e torturadas durante a ditadura é o foco de “Que Bom Te Ver Viva” (1989), dirigido por Lúcia Murat, ela própria presa política na época. O documentário combina depoimentos reais e encenações ficcionais e se tornou referência nas discussões sobre memória, violência política e a vivência feminina durante o regime militar.

Na história mais recente, “Democracia em Vertigem” (2019), de, acompanha o impeachment da ex – presidente Dilma Rousseff, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e a ascensão de Jair Bolsonaro, relacionando esses fatos à trajetória pessoal da diretora.

A produção estreou no Festival de Sundance, foi indicada ao Oscar de Melhor Documentário em 2020 e tem aprovação de 96% no site de críticas Rotten Tomatoes.

Henri Pierre Arraes de Alencar Gervaiseau, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), considera o documentário “muito bem documentado, com registros efetuados de forma observacional”.

Ele observa, porém, que a diretora adota um ponto de vista pessoal, característica do documentário autoral que o diferencia do relato jornalístico tradicional.

Como escolher filmes para o feriado

Com muitas opções disponíveis em plataformas de streaming, Alcides Freire Ramos, doutor em história e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), recomenda assistir a mais de uma obra sobre o mesmo período. A comparação entre filmes de décadas diferentes e realizados sob perspectivas distintas pode “facilitar a compreensão a respeito da historiografia” de cada episódio.

Para quem tem pouco tempo, a orientação é escolher um recorte específico, como colonização, Era Vargas, ditadura ou democracia recente. Dessa forma, a sessão não precisa tentar abranger toda a história do país e pode servir como ponto de partida para pesquisas complementares sobre os acontecimentos retratados.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!